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riscos_e_rabiscos

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Da Lei do Retorno.

 

Be careful with what you wish for... It may come true!
 

Diz a Lei do Retorno que tudo o que fizermos ou desejarmos, voltará para nós. Todos os nossos desejos, decisões ou actos tomados na nossa vida têm um efeito correspondente. Eu acredito nisto e procuro pôr esta lei em prática.

 

De natureza, já tenho bom íntimo, fui ensinada e educada a praticar o bem e foi sempre este o ambiente que me rodeia. Não compreendo muitos actos praticados por muita gente. De tal forma, que muitas vezes digo (e vocês já o devem ter lido aqui) que “devo andar muito enganada neste mundo”.

 

Esta é uma lei que está implícita nas mais pequenas coisas, é algo intrínseco ao universo: cada ação tem uma reação. Se essa ação é boa, o bom retorna para nós. Se damos, recebemos. Em quantidade e qualidade proporcionais.

 

Mas nós não somos seres perfeitos e, por isso, nem sempre aquilo que fazemos é o mais acertado. Cabe-nos a cada um de nós, nessas alturas, tomar consciência, reflectir, aprender e corrigir aquela ação menos boa. É isto que nos faz crescer, progredir enquanto Ser Humano. Afinal, o Ser Humano é um ser social, que estabelece relações com os seus pares e que nem sempre são harmoniosas.

 

Neste sentido, podemos até dizer que somos nós que traçamos o nosso caminho, que assumimos a responsabilidade dos nossos actos, que escolhemos o tipo de relação com os outros.

 

Todo este texto tem um motivo e uma justificação por trás. Por isso, hoje, deixo-vos alguns conselhos:

- Deus não dorme (e protege os fracos):

- Deus pode tardar mas não falha;

- Canalizem as energias negativas para algo que não as traga de volta;

- Libertem a energia positiva em todas as pequenas coisas que fazem na vida e ela voltará para vós para vos fortalecer.

 

Lembrem-se: desejar mal ao próximo é desejar mal a si próprio. E isto “paga-se”. (E com isto não me refiro àqueles desabafos momentâneos mas aos actos efectivos e com ódio).

 

As Minhas Leituras de Infância.

A propósito da reedição dos livros das “Aventuras dos Cinco”, ao que parece há muito esgotados em Portugal, voltei atrás no tempo.

 

Lembrei-me das minhas tardes de verão, deitada em cima da minha cama com o meu cão Rex (que desapareceu e nunca o encontrámos :() deitado aos meus pés a devorar os livros de banda desenhada e aventura que eu tanto adorava.

 

A minha mãe sempre me incentivou à leitura. Não me lembro de lhe pedir um livro que ela não mo tivesse comprado. E ela própria me comprava alguns por sua livre iniciativa.

 

Talvez um dos primeiros livros mais giros que tenha tido, tenha sido este:

Amava os livros da Anita, as suas ilustrações, as aventuras. Ainda os tenho e continuo a achá-los como dos mais belos em termos de ilustrações.

 

Depois vieram as Aventuras dos Cinco, que me fizeram viver as histórias que protagonizaram, a colecção do “Colégio das Quatro Torres” que lia emprestados. Tive poucos.

         

Quem se lembra ainda dos livros da Patrícia? Estes eram os meus favoritos. Calculo que não deviam ser livros muito baratos na altura embora eu tivesse bastnates. Mas uma amiga minha cujos pais eram “ricos” tinha todos os livros. Sempre que saia um, os pais compravam-lhe. Acabei por lê-los quase todos.

Depois havia a banda desenhada da Luluzinha. Ainda hoje adoro! quando brincava com uma amiga minha que tinha um irmão mais velho – e respectivos amigos – nós imaginávamos que tínhamos o tal clube do “Menino não entra”. E até colámos um letreiro na porta do quarto dela. Será escusado dizer que deu confusão, não é? :)

Sabem, apesar de, naquela altura, não haver tanta variedade como agora, líamos muito mais pois não tínhamos consolas, internet e sei lá mais o quê para nos distrairmos. E sabem que mais, não sei até que ponto não éramos mais felizes…

 

O maior susto da minha vida.

Ontem foi o último dia que fui substituir a minha colega. Dava-me jeito monetariamente mas fisicamente estava a ser muito cansativo. Só para terem uma ideia, nos meus dias de aulas, eu dava 9 horas e 40 minutos de aulas. É muito.

Foi, então, contratada outra professora substituta e eu fui passar-lhe a pasta: ensinar como funcionamos no colégio e pequenos truques e segredos. E só entre nós, que ninguém nos ouve, achei a moça impecável, muito melhor que a minha colega: mais paciência, métodos mais actuais, ideias novas... Gostei bastante dela e deixei-a completamente à vontade para ela fazer o que quisesse com os miúdos.

 

Último dia da semana, acordei e saí mais cedo de casa para garantir que não perdia o autocarro e chegava à escola o mais cedo possível. Vim todo o caminho, até chegar à paragem da escola, a piscar os olhos de sono. Saí do autocarro e fui para a passadeira de peões. Como sempre faço, esperei que me dessem passagem. O carro parou do meu lado e o que vinha em sentido oposto, também parou. Nesta altura avancei.

 

Estava eu a meio da passadeira - com os dois carros parados - quando aparece um terceiro carro em alta velocidade. Nestas situações, parece que bloqueamos e não sabemos como reagir e foi isso que me aconteceu. Parecia que estava num filme ou algo do género, que estava fora de mim a observar o que se passava.

 

Neste impasse meu, vejo o carro a travar bruscamente e a dar uma guinada para o lado para não bater no da frente. As pessoas que estavam nas paragens dos dois lados da estrada, ao ouvir o guinchar dos pneus e ao ver-me parada no meio da passadeira, desataram aos "ais".

É que o terceiro carro, em vez de dar a guinada para o lado do passeio, deu para o meio da estrada, ou seja, mesmo na minha direção. E só vos digo que se lhe tivessem falhado os travões, hoje não estava aqui para desabafar isto convosco.

 

Caiu-me o coração aos pés. Sem reação possível, lá prossegui o meu caminho cheia de náuseas dos nervos que apanhei e com o coração a tremer. Já passei por outra situação semelhante mas não tão grave como esta. Foi um grande susto proprocionado pela bestialidade daquele condutor.

 

 

Dor de dentes.

 

Tenho ali a minha mãe a morrer de dor de dentes, com uma dor agudíssima, até lhe inchou o queixo. E eu estou aqui que não me aguento de nervos de a ver assim, aflita. Tenho um nó no estomago e uma dor de cabeça que nem imaginam. Até parece que me dói a pele. É que eu, por acaso, só ainda tive uma dor de dentes na vida e não queria ter mais, mas sei dar valor a quem as sofre.

 

Ela está medicada mas os medicamentos ainda não estão a fazer o efeito em pleno. Eu quase que diria que também estou a sofrer de dores de dentes por simpatia com ela. Que coisa!

E para ajudar à festa, ela tem bichos carapinteiros mesmo doente. Mesmo desesperada com as dores, teve de ir temperar a carne para o jantar à socapa. Depois veio ainda pior. Acreditam nisto?

 

E como se não chegasse, de vez em quando ainda tem que me dar qualquer "ordem" para eu fazer qualquer coisa ao meu pai, que agora meteu na cabeça que não quer sair de casa, que não quer sair da cama e que se não trabalha, também "não precisa de comer".

 

Não estou bem arranjada com estes dois?!? :(

 

Pérolas Infantis # 2

 

Na aula de hoje, de substituição da minha colega que está de atestado, estavamos a fazer uma ficha de matemática. Mas antes de a começarmos a fazer, era preciso explicar e fazer uma experiência que envolvia noções de quantidade e de espaço.

 

Começo a explicar e a fazer a experiência toda entusiasmada, quando me lembro de perguntar:

 

Eu: Sabem o que são berlindes?

(A experiência era feita com berlindes e como os miúdos desta geração já não conhecem nada do que é tradicional, perguntei.)

 

Aluno: Eu sei... é um bolo!

 

Eu: Um bolo?!?

(Pergunto eu à espera de uma resposta espantástica!)

 

Aluno: Sim, são as bolas de berlinde... aqueles bolos com creme...

 

Fechei a boca por uns segundo para abafar o riso para não melindrar susceptibilidades mas não resisti a partilhar isto com vocês. Só espero que não comam muitas bolas de berlinde senão têm de gastar uma pipa de massa no dentista! Hahahah!

 

 

Um Caso Complicado...

Desde ontem que não me sinto nada bem. Houve algo que mexeu comigo. E este post é escrito com duas intenções, a primeira é desabafar, fazer sair o que sinto cá dentro, e a segunda a de exorcizar este “fantasma” que me assombra desde ontem.

 

Numa das minhas turmas tenho uma aluna muito estranha. O seu comportamento e atitudes não se coadunam com as dos seus pares e até a sua aparência faz-nos olhar duas vezes.

Ontem fui substituir uma colega minha que teve de se ausentar. Ela explicou-me o que queria que eu fizesse e como, e eu pus em prática. Correu tudo muito bem na sua generalidade.

Esta miúda cumpriu tudo o que lhe foi pedido, e até bem e com rapidez. Até foi a primeira a ter direito à recompensa/brincadeira que eu levei. Gosto sempre de os agradar e de nos divertirmos quando as tarefas estão cumpridas. Fez uma vez a brincadeira, não quis fazer as outras (ao contrário dos colegas) e foi sentar-se no seu lugar. É uma criança que não brinca, não interage com os seus colegas e que está permanentemente a chorar.

 

Note-se que ela não é nova na escola. Se fosse, era compreensível e aceitável que chorasse nos primeiros dias. Para se ter uma ideia, sempre que tem oportunidade, esta miúda desata a chorar. Sem motivo ou causa. Acaba de fazer uma tarefa, desata a chorar; arruma o estojo, desata a chorar. É uma coisa muito perturbante que nos faz perder a paciência. Afinal, não há motivo para aquele choro constante.

Passou o dia todo a arranjar pretextos para tentar sair da sala de aula. De vez em quando, lembrava-se de algo e lá vinha perguntar se podia, para se tentar pisgar da sala. Por norma e regra da sala de aula, eles só saem para ir ao WC e caso estejam mesmo aflitos. As idas ao WC devem ser feitas antes de entrarem para a aula. Mas tendo em conta que estava muito calor e que os miúdos tinham bebido muita água, eu até os deixei ir ao WC.

 

A tal miúda, também me pediu para ir ao WC (milhentas vezes) já no fim da aula e depois das tarefas cumpridas e eu deixei. Mas fiquei à porta da sala a observá-la. E não é que a miúda foi até ao fim do corredor, deu meia volta e voltou para a sala? Mas antes disso, já me tinha vindo perguntar de podia ir dizer uma coisa ao director. Claro que não, não é? Por todos os motivos e mais algum, até porque não havia nada que o justificasse.

Às tantas, e porque eu tinha a porta da sala aberta, vê uma auxiliar e desata a chorar. Fartei-me, endureci a voz e mandei-a sentar-se no seu lugar. Já que com meiguice não parava, experimentei assim. A miúda desata aos berros a gritar “não vou, não vou” de uma forma insana. Perguntei-lhe: querias ir ao diretor, não era? Então vamos lá agora e com motivo! Peguei na miúda pelo pulso porque ela tem sempre os punhos cerrados, e descemos as escadas. A miúda estava em tal estado, que até escorregou nas e só não deu uma queda feia porque eu a estava a segurar pelo pulso.

Lá fomos ao diretor contar o que se tinha passado, ele falou com ela acerca do seu comportamento mas desconfio que aquilo entrou a 100 e saiu a 200.

 

 Quando teve autorização para sair dali, todos comentámos na direção, que aquela miúda tem realmente algum problema patológico, alguma psicose e que se teria de falar com os pais e a miúda ser avaliada por um especialista. Mal acabámos de sussurrar isto, entra-nos sala a dentro para fazer uma pergunta ao diretor: “a (auxiliar) xpto não foi ao médico nem nada?” e o director perguntava-lhe “porquê”. Ela voltava a fazer a mesma pergunta e o diretor a perguntar porquê. E esta situação repetiu-se algumas quatro ou cinco vezes. Percebendo que a miúda não ia sair dali, eu disse-lhe que a xpto tinha ido ao médico sim. E foi aí que ela desengasgou :”ah é que eu não gosto nada da (auxiliar) xyz…” Mais uma vez ficámos a olhar uns para os outros.

 

Já tive imensos alunos com problemas, desde deficiências mentais em vários graus, uns com acompanhamento devido e outros sem acompanhamento, a alunos a precisar de uma urgente ajuda psicológica. Mas que me tivesse perturbado tanto como esta criança, não. E até aposto que ela passou a não gostar de mim, desde o episódio de ontem.

 

Mas era o que mais faltava!

Mas é que era mesmo!!!

 

Estava eu a abrir a página do sapo para espreitar se o meu bloguezinho tinha muito pó, quando me deparo com esta afirmação modesta e extraordinária:

«As pessoas invejam-me porque sou bonito»

 

Até fiquei atordoada! Ó Ronaldo, desculpa lá que te diga, mas de bonito não tens nada. Bem, talvez o dinheiro. Ainda pra mais nos tempos que correm e com a escassez dele nas carteiras e contas bancária. De resto, só com uma plasticazinha pois aparelho já tu usaste. Mas nem por isso deixaste de ter boca de charroco.

 

Ronaldinho, filho, fazia-te tão bem um banho de modéstia e uma ida ao oftalmologista para teres uma noção real da tua... errr... boniteza!

 

 

P.S. - Não resisti a ser um bocadinho sarcástica... a falta de modéstica faz-me urticária... desculpem-me!

Mázinha.

                                                                                   *
 

Às vezes sou acusada de ser dura a falar e de ser intransigente nalgumas situações. Na verdade, há coisas que eu vejo e sei que estão mal e enquanto não pressiono, não “pico” os miolos à pessoa para fazer as coisas como deve ser, não me calo. Aliás, cá em casa tenho uma frase, dita por mim, muito famosa “Só me calo quando morrer… e mesmo assim, não sei!

 

Não sei se é defeito, se é feitio, ou até deformação profissional. Mas sou assim. Custa-me muito compactuar com certos comportamentos e atitudes incorrectas, irresponsabilidades gratuitas e situações injustas. Sei que, às vezes, podia utilizar palavras menos acutilantes mas acaba por ser mais forte do que eu. Mas quem, na minha posição, consegue estar a ver estas coisas e ficar impávida e serena?

 

Digo muitas vezes que vou passar a borrifar-me e a ignorar as coisas e até o faço por algum tempo. Mas há-de haver sempre alguma faísca que faça atear o fogo de novo… e depois começo eu com a minha enxurrada de palavras incisivas e marcantes.

 

Se eu tenho de melhorar? Talvez sim, mas há quem tenha de melhorar ainda muito mais…

 

* E se estiver em fase de TPM, como é o caso,  I'm a real bitch...:P

O meu regresso às aulas.

 

O meu primeiro dia de aulas foi na sexta-feira e posso dizer que foi um dia feliz. Foi um daqueles dias em que nós sentimos que gostam de nós, que somos bemvindos.

 

Antes de entrar na escola, e porque ainda era muito cedo, fui beber um café ao restaurante que fica ao lado como gosto de fazer. Dei dois dedos de conversa com os patrões e os empregados e quando me preparo para vir embora, entram duas auxiliares. "Vai entrar já? Então sente-se aqui um bocadinho connosco, professora.", convidaram elas e eu assim fiz. Mas dois dedos de conversa sobre as nossas férias e novidades da escola, e lá regressámos juntas para o local de trabalho.

 

Como sempre, os meus alunos recebem-me efusivamente e com muitos abraços e beijinhos. E que bem que isto sabe! Eu também sou assim com eles e gosto de o ser. Só para terem uma ideia, ia eu a passar num dos corredores e uma colega minha tinha a porta da sala aberta, assim que os alunos dela - que são do primeiro ano - me viram, levantaram-se das mesas e correram em direcção à porta aos gritos "teacheeeeeerrrr". Ahahahaha! Se a minha colega não tivesse fechado a porta, tinham saído todos cá para fora! Depois de ter terminado a aula, fui lá dar uma beijoca e não é que se penduraram todos ao meu pescoço aos beijos e quase me deitaram ao chão?!? :)

 

Mas os meus regressos à escola são sempre um motivo de grande alegria mas também de alguma tristeza. Alegria por rever os meus alunos de que tanto gosto e tristeza por ver que alguns não puderam permanecer ali. Esta crise está a complicar a vida aos pais e às crianças, e por mais vontade que tenham de permanecer lá, o orçamento familiar e o encarecimento dos bens essenciais não o permitem.

 

Hoje foi o meu segundo dia de regresso às aulas. É bom voltarmos ao local de trabalho onde gostamos de estar, onde nos sentimos integrados e onde gostam de nós apesar de alguns pesares. É bom rever os colegas e voltar áquelas cumplicidades nossas, em que também nós parecemos miúdos. E é bom ficarmos na sala uns dos outros, sentados nos lugares dos alunos (enquanto adiantamos algum trabalho), enquanto o colega dá aula. É talvez a maneira simplista de dizermos que voltámos de novo aos bancos da escola.

 

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